Santa Faustina

2 de março de 2009

misericordia divina

A Irmã Faustina Kowalska

A Irmã Faustina Kowalska, conhecida em todo o mundo como apóstola da Misericórdia de Deus, é considerada pelos teólogos como fazendo parte de um grupo de notáveis místicos da Igreja.

Nasceu como terceira de dez filhos numa pobre, mas piedosa família de aldeões, em Glogowiec. No Batismo, na Igreja paroquial de Swinice Warckie, recebeu o nome de Helena. Desde a infância distinguiu-se pela piedade, pelo amor à oração, pela diligência e obediência, e ainda por uma grande sensibilidade às misérias humanas. Freqüentando a escola, não chegou a acabar a terceira série; como jovem de dezesseis anos, deixou a casa familiar para ir trabalhar como empregada doméstica em Aleksandrów e Lodz, a fim de angariar meios de subsistência própria e de ajudar os pais.

O chamamento da vocação faz-se sentir desde os sete anos de idade (dois anos antes da Primeira Comunhão), embora os pais não concordassem com a idéia da entrada da filha para um convento. Nesta situação, Helena procurava encobrir este divino chamamento, mas, interpelada pela visão de Cristo sofredor e pelas Suas palavras de repreensão: “Até quando hei de te paciência contigo e até quando tu Me desiludirás?” — tomou a decisão de entrar num Convento. Ia batendo a muitas portas de casas religiosas, todavia em nenhuma sendo admitida. Enfim, no dia 1° de agosto de 1925, transpôs o limiar da clausura no Convento da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, na rua Zytnia, em Varsóvia. No seu Diário confessou: “Sentia-me imensamente feliz, parecia que havia entrado na vida do paraíso. O meu coração só era capaz de uma continua oração de ação de graças.”

Entretanto, após algumas semanas sentiu uma forte tentação de mudar de Congregação, para onde houvesse mais tempo dedicado à oração. Nessa altura, Nosso senhor, mostrando-lhe a Sua Face dolorosa e chagada, disse… “Tu Me infligirás tamanha dor, se saíres desta Congregação! Chamei-te para este e não para outro lugar e preparei muitas graças para ti.”

Na Congregação recebeu o nome de Irmã Maria Faustina. O noviciado realizou-se em Cracóvia e foi lá que, diante do Sr. Bispo Estanislau Rospond fez, tanto os primeiros votos religiosos como, passados cinco anos, os votos perpétuos: de castidade, de pobreza e de obediência. Trabalhava nas diversas Casas da Congregação, porém esteve mais tempo em Cracóvia, Plock e Vilna, exercendo funções de cozinheira, jardineira e até de porteira.

No exterior nada deixava transparecer a sua muito rica mística. Cumpria assiduamente as suas funções, guardando com zelo a regra religiosa, era recolhida e silenciosa, embora ao mesmo tempo natural, serena e cheia de amor benevolente.

Toda a sua vida se concentrava numa efetiva aspiração a uma união cada vez mais plena com Deus e à colaboração com Jesus na obra da salvação das almas. “Ó meu Jesus, — confessou no Diário — Vós sabeis que desde os meus mais tenros anos eu desejava tornar-me uma grande santa, isto é, desejava amar-Vos com um amor tão grande com que até então nenhuma alma Vos tinha amado.”

A profundidade da sua vida espiritual revela-se no Diário. A leitura atenta dos seus apontamentos dá uma imagem do alto grau de união da sua alma com Deus: a grande comunicação d’Ele no seu íntimo e os seus esforços e luta no caminho para a perfeição cristã. Nosso Senhor concedeu-lhe grandes graças: o dom da contemplação, o profundo conhecimento do mistério da Misericórdia de Deus, as visões, as aspirações, os estigmas escondidos, o dom da profecia, de discernimento, e também o dom só raramente concedido dos noivados místicos. Extraordinariamente dotada escreveu: “nem graças, nem aparições, nem êxtases, ou qualquer outro dom que lhe seja concedido torna a alma perfeita, mas sim a união íntima com Deus. (…) A minha santidade e perfeição consistem na união estreita da minha vontade com a vontade de Deus.”

O austero regime de vida e os inúmeros jejuns que ela própria se impôs, ainda antes da entrada para a Congregação, de tal maneira enfraqueceram o seu organismo que, já no tempo de postulante, foi necessário mandá-la para a Casa de Skolimov, perto de Varsóvia, a fim de melhorar a sua saúde. Depois do primeiro ano de noviciado vieram as dolorosas experiências místicas da assim chamada “noite escura” e, a seguir, os sofrimentos espirituais e morais ligados com a realização da missão que lhe era confiada por Nosso Senhor. A Irmã Faustina ofereceu a sua vida pelos pecadores e a este título passava por diversos sofrimentos socorrendo assim as almas. Nos últimos anos de vida aumentaram os tormentos interiores da dita noite passiva do espírito e os padecimentos do organismo: desenvolve-se uma tuberculose que lhe atacou os pulmões e os intestinos. Por causa disto esteve por duas vezes, e durante alguns meses, internada no hospital de Pradnik, em Cracóvia.

Fisicamente esgotada até ao limite, embora em pleno amadurecida no seu espírito, misticamente unida a Deus, acabou por falecer em fama de santidade a 5 de outubro de 1938, contando apenas 33 anos de vida e 13 de profissão religiosa. O seu corpo foi depositado num jazigo do cemitério do Convento em Cracóvia-Lagiewniki e, durante o processo informativo da beatificação em 1966, transladado para a Capela.

Àquela simples religiosa, sem instrução, mas valorosa e de uma confiança sem limites em Deus, Jesus Cristo confiou a grande missão: a Mensagem da Misericórdia dirigida a todo mundo. “Hoje estou enviando-te — disse — a toda a humanidade com a Minha misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la estreitando-a ao Meu misericordioso Coração.” “És a secretária da Minha misericórdia. Eu te escolhi para essa função nesta e na outra vida”. “(…) dar a conhecer às almas a grande misericórdia que tenho para com elas, e animá-las à confiança no abismo da Minha misericórdia.”

A missão da Irmã Faustina, em poucas palavras, consiste na recordação de uma verdade de fé, desde os séculos conhecida, embora bastante esquecida: sobre o amor misericordioso de Deus para com o homem e a transmissão de novas formas do culto da Misericórdia Divina, cuja prática haverá de conduzir à renovação da vida cristã em espírito de confiança e misericórdia.

O Diário de Santa Faustina, escrito durante os últimos anos da sua vida por expressa ordem de Nosso Senhor, tem a forma de um memorial em que a Autora vai anotando, seqüencialmente e retrospectivamente, sobretudo os “toques” e contatos da sua alma com Deus.

A Imagem de Jesus Misericordioso: O seu modelo foi mostrado em visão que a Irmã Faustina teve no dia 22 de fevereiro de 1931 na cela do Convento em Plock.

“À noite, quando me encontrava na minha cela — escreve no Diário — vi Nosso Senhor vestido de branco. Uma das mãos erguida para a benção, e a outra tocava-Lhe a túnica, sobre o peito. Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e o outro pálido. (…) Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós.” “Quero que essa Imagem (…) seja benzida solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia.”

O conteúdo desta Imagem está, pois, estreitamente ligado à Liturgia desse Domingo. A Igreja lê nesse dia o Evangelho segundo São João da aparição de Jesus Ressuscitado no Cenáculo e da Instituição do sacramento da reconciliação (Jo 20, 19-29). A Imagem representa então, Jesus Ressuscitado que traz aos homens a paz pela remissão dos pecados, pelo preço da Sua Paixão e Morte na Cruz. Os Raios do Sangue e da Água que brotam do Coração (invisível na Imagem), trespassado por uma lança, e as cicatrizes das Chagas da crucifixão relembram os acontecimentos da Sexta-Feira Santa (Jo 19, 17-18; 33-37). A Imagem de Jesus Misericordioso une, então, estes dois acontecimentos evangélicos que mais plenamente falam sobre o amor de Deus para com o homem.

Características desta Imagem de Cristo são os dois raios. Nosso Senhor, inquirido sobre o seu significado, esclareceu: “o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas (…) Feliz aquele que viver à sua sombra”. O Sacramento do Batismo e da Reconciliação purificam a alma e a Eucaristia alimenta-a mais abundantemente. Os dois raios significam os Sacramentos e todas as graças do Espírito Santo, cujo símbolo bíblico é a água e também a Nova Aliança de Deus com o homem feita no Sangue de Cristo.

A Imagem de Jesus Misericordioso é freqüentemente designada com Imagem da Misericórdia Divina, pois é o mistério pascal de Cristo que mais claramente se revelou o amor de Deus para com o homem. Esta Imagem não só apresenta a Misericórdia Divina, mas constitui também um sinal para relembrar o dever da confiança em Deus e de um ativo amor para com o próximo. Na legenda, segundo a vontade de Cristo, são colocadas as palavras: “Jesus, eu confio em Vós”. “Por meio desta Imagem — disse também Nosso senhor — concederei muitas graças às almas. Ela deve lembrar as exigências da Minha Misericórdia, porque mesmo a fé mais forte de nada serve sem as obras.”

Nosso Senhor ditou o Terço à Irmã Faustina em Vilna, em 13-14 de setembro de 1935, como oração de expiação e para aplacar a ira de Deus: “As almas que rezarem este terço serão envolvidas pela Minha Misericórdia, durante a sua vida e de modo particular, na hora da morte.”

Em outubro de 1937, em Cracóvia, em circunstâncias não especificadas pela irmã Faustina, Nosso Senhor mandou venerar a Hora da Sua Morte: “todas as vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas da tarde, deves mergulhar toda na Minha misericórdia, adorando-A e glorificando-A. Implora a onipotência dela em favor do Mundo inteiro e especialmente dos pobres pecadores, porque nesse momento a misericórdia foi largamente aberta para toda a alma”.

Nosso Senhor também mencionou de uma maneira precisa os meios próprios de oração para esta forma de culto da Misericórdia Divina: “Minha filha — disse Nosso Senhor — procura rezar, nessa hora, a Via-sacra, na medida em que te permitirem os teus deveres, e se não puderes fazer a Via-sacra, entra, ao menos por um momento na capela e adora o Meu Coração, que está cheio de misericórdia no Santíssimo Sacramento. Se não puderes sequer ir à capela, recolhe-te em oração onde estiveres, ainda que seja por um breve momento”.

Quanto ao culto à Misericórdia divina, Jesus diz: “As almas que divulgam o culto da Minha misericórdia Eu as defendo por toda a vida como uma terna mãe defende seu filhinho e, na hora da morte não serei Juiz para elas, mas sim o Salvador Misericordioso”.
A missão da irmã Faustina encontra a sua profunda justificação na Sagrada Escritura e, nos documentos da Igreja sendo notável o modo como está em concordância com a Encíclica de João Paulo II, Dives in Misericordia — “Deus rico em misericórdia”.

(Diário - A Misericórdia Divina na Minha Alma - Santa M. Faustina Kowalska)

Um Comentário para “Santa Faustina”

  1. Maria Terezinha Gomes Diz:

    Eu tenho o quadro de Jesus Misericordioso, tenho pedido a intercessão de Santa Faustina e tenho também seu diário. Que espititualidade! É lindo demais!! Temos que ter muita confiança na Sua Misericórdia! Eu também tenho que ter Misericórdia.
    Amém. Shalom.

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