Parusia
2 de março de 2009

Parusia é uma palavra de origem grega, que significa “uma nova vinda ou visita”. Muitas enciclopédias simplesmente definem essa palavra como a segunda vinda de Jesus, fazendo jus a uma tradição milenar desse significado. No mundo helenista usava-se para narrar a visita de um rei ou de uma rainha a uma cidade - visita que se desenrola com muita festa, cortejo triunfal e discursos, marcando geralmente o início de uma nova era para a região.
Do mundo profano, o termo foi transplantado para o ambiente bíblico, onde aparece na tradução grega do Antigo Testamento, para designar a presença de Deus sob a forma de nuvem, de fogo, de trovão, na Arca da Aliança ou no Templo.
É, porém, no Novo testamento que essa palavra adquire o seu significado mais típico: de segundo advento do Messias, não mais na obscuridade e no sofrimento, como na primeira vez, mas envolto em poder e majestade, para fundar Seu Reino Glorioso Universal. Conforme São Paulo, essa segunda vinda de Jesus, como a parusia dos antigos reis orientais, será precedida por um arcanjo, trombetas e sinais de reconhecimento.
A realidade da parusia de Jesus encontra-se testemunhada ao longo de toda a Bíblia, dos Profetas (sobretudo Daniel) aos Salmos, até os quatro Evangelhos, as Cartas dos Apóstolos e o Apocalipse. É, pode-se dizer, a doutrina que mais se destaca nos últimos discursos de Jesus, antes de Sua partida.
Quando?
A questão mais intrigante, porém, foi, desde o início, determinar-lhe. Isto é, quando aconteceria essa volta de Cristo ao mundo? Tudo parecia indicar que bem logo, e foi assim que os primeiro cristãos interpretaram as palavras de Jesus: “Em verdade vos declaro: Não passará esta geração antes que tudo isto aconteça” (Mt 24,34; Mc 13,30), sem se darem conta de que essas palavras se referem à destruição de Jerusalém, profecia que faz parte do mesmo discurso. Em Tessalônica muitos deixaram até de trabalhar. O próprio São Paulo, no começo, achou que estaria vivo por ocasião da volta do Senhor (cf. I Ts 4,15.17). Mas logo mudou de opinião.
Desde os primeiros padres apostólicos, a parusia deu margem a largas controvérsias que se estenderam pelos séculos em fora. Não poucos teólogos tentaram desmarcar-lhe a data, apesar das palavras dissuasórias de Cristo: “Não vos pertence a vós saber os tempos e os momentos” (At 1,7a). Mas a incógnita permanecia, já que em muitos textos bíblicos, escatologia e história freqüentemente se confundem. E havia ainda o diferente enfoque dos sinópticos, de São Paulo e de São João, de acordo com a visão eclesial de cada um e das realidades pastorais e existenciais de suas comunidades. Enquanto para os primeiros ela aconteceria por ocasião da derrocada de Jerusalém, para o segundo viria em tempos indefinidos, precedida por uma apostasia geral e pelo aparecimento do “filho da perdição”. Para São João, porém, a parusia era uma realidade presente na vida, pois o Senhor já voltara pela Sua ressurreição (cf. Jo 16,16-22).
Baixada a poeira, os teólogos em geral passaram a admitir que a parusia não era para nenhum amanhã balizável, demarcável, e muitos se inclinavam a crer que ela coincidiria com o fim do mundo.
O impasse provavelmente perduraria por muito tempo ainda se, nos últimos anos, novas luzes do céu não viessem aclarar o significado de algumas profecias bíblicas relativas ao assunto, inclusive precisando a data da sua realização. Referimo-nos sobretudo às revelações particulares de Jesus a Vassula Rýden e da Virgem Maria ao padre Stefano Gobbi, dois nomes mundialmente conhecidos por seus escritos, já traduzidos em praticamente todos os idiomas.
Vassula Rýden
Vassula(1) nasceu no Egito, de pais gregos, em 18 de janeiro de 1942. Aos onze anos, na Igreja greco-ortodoxa, toma a primeira Comunhão, que será também a última por longos 33 anos. Em 1966, casa-se pelo civil com um sueco luterano, engenheiro da FAO, com o qual terá dois filhos.
Em companhia do marido, leva uma vida quase nômade, viajando por vários países da Europa, da Ásia, da África e das Américas. Durante os dezesseis anos que residiu naÁfrica, morou sucessivamente em Serra Leoa, na Etiópia, em Moçambique e em Lesotho.
Divorcia-se em 1980, para, no ano seguinte, casar-se com outro luterano, também desta vez só pelo civil, com o qual vai morar em Bangladesh (Ásia). Como sempre, tem uma vida fútil e mundana, como pintora, manequim, anfitriã do marido no Hotel Sheraton e campeã nacional de tênis. Além do grego, sua língua materna, fala inglês, francês e sueco. Uma pessoa culta, bonita e de sociedade.
Eis, porém, que em 1985, ao fazer uma lista de compras para o supermercado, sente a mão dominada por uma força estranha que a leva a escrever mensagens religiosas e a desenhar um anjo, o qual em seguida revela ser o próprio anjo da guarda e chamar-se Daniel.
Por três meses ele a dispõe para o encontro com Cristo. Realmente, em fevereiro de 1986 Vassula começa a ouvir Jesus em seu íntimo, ao mesmo tempo que Ele lhe move a mão para escrever o que dita. Segundo seu próprio testemunho, costuma passar na companhia de Cristo entre cinco e seis horas diárias, entretendo-se com Ele e escrevendo Suas mensagens.
(1) Vassula é o feminino de Vassili (Basílio). Portanto, Basília. Foi batizada com o nome de Vassiliki, pelo qual Jesus muitas vezes se compraz em chamá-la.
Transtornos
Seria longo, além de fugir ao nosso objetivo, relatar todos os transtornos que lhe acarretou essa nova situação: o mau juízo dos companheiros de tênis, que passaram a considerá-la uma doida e a desconfiança dos padres, aos quais confiara os seus segredos. Segundo alguns, era uma esquizofrênica; segundo outros, agia sob a influência do diabo. Tanto é verdade que chegaram a aspergir-lhe os cadernos com água benta e dar-lhe a rezar uma oração a São Miguel Arcanjo, tido como terror dos demônios. Quando, porém, se deram ao trabalho de ler seus escritos, mal puderam acreditar. Tratava-se da mais alta e límpida teologia, exposta em linguagem simples e num estilo semelhante ao da Bíblia - um fenômeno inexplicável para quem nunca tinha tomado na mão o Livro Sagrado e era “zero” em conhecimentos religiosos.
Hoje Vassula, que mora na Suíça, perto de Lausanne, com o marido Per Ryden e os dois filhos do primeiro casamento, viaja continuamente pelo mundo, anunciando as mensagens que recebe de Cristo (2). Vai sempre acompanhada do seu orientador espiritual, padre Michael O’Carrol, um velhinho de oitenta anos, considerado como um dos maiores teólogos da atualidade. “Não estou em idade de me deixar prender pelo sensacionalismo, nem sinto necessidade disso. Mas respeito os ensinamentos do Concílio Vaticano II sobre os carismas”, esclarece ele. E prossegue: “Estudei com muita seriedade o caso de Vassula. Li os seus escritos atentamente; consultei sacerdotes bem informados e mesmo peritos, que a conhecem… E minha opinião, bem amadurecida é que se trata de um instrumento preciosíssimo de Deus… A sua teologia, num contexto existencial, é perfeitamente ortodoxa. Peço respeitosamente que tenham confiança nela, em nome do Espírito Santo.”
Seus escritos, publicados, por indicação do próprio Cristo, com o título A verdadeira vida em Deus; encontros com Jesus (seis volumes, num total de umas duas mil páginas), já se encontram traduzidos em nove línguas, sendo que parte das suas mensagens pode ser lida em 27 idiomas. Entre seus leitores figura o próprio Papa João Paulo II, a quem a autora entregou em mãos a obra em polonês, em russo, em francês, em inglês e em italiano.
(2) Vassula então ignorava tudo a respeito da Igreja e, com sinceridade e boa-fé, acreditava na legitimidade da sua união. Mas, depois da sua conversão, começou a ficar inquieta e queixou-se a Cristo: “Uma coisa me perturba. Há quem afirme que estou em pecado, porque me divorciei e voltei a casar. Por isso, dizem que não sois Vós a me dar esta revelação: por causa do meu permanente estado de pecado.” A resposta de Jesus foi a mesma que, quase dois mil anos antes, tinha dado aos acusadores da mulher surpreendida em adultério (cf. Jo 8,7): “Que o homem sem pecado se apresente diante de Mim, ponha-se na Minha frente e mostre-Me o seu rosto” (24/9/1988). A conselho de um padre católico, ao qual se dirigiu, regularizou o seu casamento, que foi celebrado a 31 de outubro de 1990 na Igreja greco-ortodoxa de Lausanne.
Outra samaritana
A história de Vassula tem muito em comum com a da bíblica samaritana, relatada no capítulo quarto do Evangelho de São João. Ali foram os discípulos que estranharam o fato de estar Jesus conversando com uma mulher de má vida e, além do mais, samaritana. (Como se sabe, os judeus não se davam por nada com os samaritanos, que reputavam cismáticos por adorarem no monte Garizin e se recusarem a fazê-lo em Jerusalém.) Aqui somos nós que estranhamos. Em vez de escolher para Sua confidente um elemento mais conspícuo - digamos, uma irmã religiosa ou uma pessoa de missa e Comunhão diária -, Jesus foi escolher justamente uma mulher não católica, que havia mais de trinta anos não punha os pés na Igreja, a não ser para compromissos sociais, como casamentos, batizados, funerais… E, o que pareceria ser o cúmulo, descasada e recasada.
A nossa estranheza, porém, começa a dissipar-se quando descobrimos o propósito de Jesus, que é preparar a humanidade para ser em breve “um só rebanho sob um só pastor” (Jo 10,16).
Outra semelhança que verificamos entre as duas é a sua vida pregressa. “Cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu” (Jo 4,18), diz Jesus à samaritana. E a Vassula Ele repete:
“Tu estavas morta, e Eu te ressuscitei. Eras uma ovelha perdida, e Eu te encontrei.”
“Mas, Senhor, o que podeis amar numa pecadora como eu?”
“A tua nulidade e a tua miséria”, foi a resposta de Jesus.
“Realmente”, reconhece ela, “não fui escolhida pelas minhas qualidades, mas pela minha miséria” (1/3/1987).
Finalmente, a perfeita conversão de ambas e a sua total disponibilidade ao apostolado: a samaritana reconheceu em Jesus o Messias prometido, saiu anunciando-O pela cidade e trouxe-Lhe muitos conterrâneos. Esses gostaram tanto que O convidaram a ficar ali alguns dias.
A Vassula Jesus revela que ainda hoje, como desde os tempos mais remotos, continua a manifestar-se aos mais diversos povos, pois a todos quer reunir, “como a galinha recolhe seus pintinhos debaixo das asas” (Lc 13,34).
Desabafos
Como era de esperar, muitos são os que relutam em aceitar suas mensagens, alegando que a revelação de Deus se encerrou com a morte do último apóstolo. Embora seja verdade, Jesus não aceita que tentem impor limites à Sua comunicação com os homens e que não reconheçam tantos sinais dados.
“Desde o início dos tempos, apareci em diversos lugares a povos diversos, em épocas diversas. Vassula, como é possível que a vossa era não reconheça os Meus sinais? Terei acaso dito alguma vez que nunca mais Me revelaria e não mais enviaria os Meus sinais? A vossa era está morta e é por culpa deles, que se autodestruíram. Eu sou o Deus vivo. Por que razão Me quereis silencioso? Por que Me quereis morto?” (20/4/1988).
Mas “Eu estou vivo e vivo agirei” (4/5/1988).
E lembra Suas próprias palavras, contidas no Evangelho:
“Meu Pai continua agindo [...], e Eu ajo também” (Jo 5,17).
A Igreja católica acompanha o caso Vassula, juntamente com dezenas e centenas de outros semelhantes no mundo inteiro, e permite a sua divulgação, de acordo com as normas promulgadas pelo Papa Paulo VI para fenômenos místicos dessa natureza (AAS58 (1966) 1186).
Simultaneamente, o caso vem sendo acompanhado por especialistas em fenômenos místicos, não só católicos, senão também ortodoxos, anglicanos e protestantes, face ao caráter ecumênico das mensagens. O Conselho Mundial das Igrejas, com sede em Genebra, também se aliou ao trabalho e já emitiu parecer favorável.
Vindas do céu, como acreditamos, as mensagens dadas a Vassula sintonizam de tal forma com as profecias e ensinamentos da Bíblia, que podem ser consideradas como o seu prolongamento e complementação. São palavras de Deus endereçadas à humanidade na presente conjuntura mundial, às vésperas de grandes acontecimentos.
Vós sereis um
O tema central dessas mensagens é preparar o mundo para a próxima vinda de Cristo, quando será fundado o Reino Glorioso Universal, preconizado há quase três mil anos nos Salmos e nos Profetas e confirmado pelo Novo Testamento. Para congregar todos os povos, raças, tribos, línguas, nações e religiões numa grande família, requer-se um denominador comum, capaz de reunir essa rica diversidade cultural do mundo em torno de um único ideal, sem sacrificar a identidade própria de cada um.
“Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a Minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,16).
Por isso, no caso de Vassula, Jesus teve o cuidado de reunir em torno das Suas manifestações toda uma constelação de denominações cristãs e não cristãs: a protagonista é ortodoxa, casada com luterano, e as suas mensagens, desde o início, vêm sendo analisadas com interesse por ministros de Igrejas ortodoxa, católica e anglicana. Mas elas se dirigem também aos muçulmanos e a outras religiões não cristãs. Outro detalhe importante é que em momento algum Jesus insinua mudança de religião a nenhum de Seus ouvintes:
“Foi acaso Jesus quem nos chamou de greco-ortodoxos, católicos romanos ou protestantes?”, pergunta ela. “Não!”, responde. “Fomos nós que criamos tais barreiras. O que Jesus deseja é a união pelo coração. A nova Igreja que Ele quer é unida pelo coração.” Por isso, “no domingo vou à Igreja ortodoxa, e nos outros dias vou às Igrejas católicas” (onde também recebe a sagrada Eucaristia).
Por duas vezes, Jesus mandou Vassula desenhar três barras de ferro, pedindo-lhe para uni-las, curvando-lhes as cabeças.
“Essas três barras”, explicou, “representam os católicos, os ortodoxos e os protestantes. Para vos unirdes, todos vos deveis dobrar, aplacando o vosso ânimo” (2/6/1987; 26/10/1989).
Em seguida, a união com todas as ovelhas que não são do mesmo redil. Por isso, a Nova Evangelização, promovida pelo Papa João Paulo II desde a década de 1980, deve ser, segundo o desejo do Papa, um retorno ao modelo original de inculturação do Evangelho dos tempos de Jesus e dos apóstolos. Nesse sentido, Cristo não poupa elogios ao Papa, ao mesmo tempo que o previne acerca das terríveis tribulações que se aproximam. A Vassula Ele diz:
“Os gritos do Meu servidor João Paulo ressoam pelo universo inteiro, e os seus lamentos chegaram ao Meus ouvidos. Deixai que vos diga: Bem em breve haverá um só rebanho e um só pastor. Eu conduzirei todas as Minhas ovelhas, mesmo as que não são deste redil. O amor vos unirá; mas, antes disso, haverá terríveis tribulações; os próprios céus serão abalados. Sê vigilante, Minha filha, transmite-lhes [às Igrejas] as Minhas instruções, que estão todas conformes às Minhas Sagradas Escrituras” (30/10/1987).
E logo adiante:
“Eu reconduzirei a Pedro as Minhas ovelhas, Eu as unirei, e Pedro unirá os Meus cordeiros [...]. Tende confiança em Mim” (18/11/1987).
“Vossa divisão permaneceria para sempre se Eu não lhe pusesse fim” (20/12/1988).
Na mensagem de 2 de maio de 1991, volta ao assunto, imprimindo-lhe ainda maior realce:
“O advento do Meu Reino na terra está ao alcance da mão, e a Minha vontade será feita na terra como no céu. Nos vossos corações Eu mesmo reconstruirei a união da Minha Igreja [...]. Minha esposa [a Igreja] será de novo revestida de glória resplandecente. A anátema da divisão será tirado, e a Mulher vestida com o esplendor do sol, que envio diante de Mim para vos educar, vos encorajará. Dei-lhe poder sobre todas as raças e países para que Me abra uma ampla estrada. O fumo que penetrou no coração do Meu santuário, manchando cálice, sacrário e tudo que é santo, se dissipará num instante com o Meu sopro. Então as nações falarão uma só língua e todos Me adorarão, ao redor de um único sacrário, o do Cordeiro imolado, o do sacrifício perpétuo, que os Meus inimigos tentam abolir e fazer substituir pela abominação da desolação [cf. Dn 11,31]. [...] Vós sereis um, como Nós na Santíssima Trindade.”
Assim na terra como no céu
Ao mesmo tempo que acentua a transformação da humanidade num só rebanho sob um só pastor. Jesus confirma o fiel cumprimento das três primeiras súplicas do Pai-Nosso:
Santificado seja o Vosso nome, isto é, não haverá no mundo uma única pessoa que não invoque, piedosa e regularmente, o nome do Senhor.
Venha a nós o Vosso reino, pois o mundo inteiro ficará sendo o Reino Messiânico Universal.
Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu, o que significa: os dez mandamentos serão respeitados por todos, ao contrário do que acontece no mundo atual. Na maioria dos países, ou eles são oficialmente abolidos ou, o que é mais comum, ignorados, tanto nas leis quanto no dia-a-dia das pessoas. Segundo Jesus, no mundo novo não haverá uma só pessoa que não respeite a vontade de Deus, expressa nos mandamentos. A oração ensinada por Jesus há quase dois mil anos será finalmente atendida na sua plenitude. A Vassula Ele explica:
“O Meu Espírito Santo de graça que agora será enviado aos quatro cantos da terra para vos ensinar a ser santos e vos transformar em seres divinos. A terra se transformará numa cópia do céu e a Minha vontade será feita. A oração que vos ensinei se realizará” (22/4/1990).
A par e passo que anuncia a união de todas as crenças religiosas “ao redor de um único sacrário”, vai abrindo mais e mais a perspectiva dos seus dramáticos acontecimentos que precederão a instauração do Seu Reino Glorioso:
“A oração que vos dei se cumprirá. A Minha vontade se fará assim na terra como no céu [...]. O Meu Reino virá, porque o Meu trono descerá do alto, por sobre a Minha cidade santa; e Eu reinarei no resto que ficar, o qual Me verá face a face. O Amor regressará como Amor” (19/12/1990).
“O Meu fogo vos purificará a todos.”
“Senhor”, interrompe-O Vassula, Vós prometestes um novo céu e uma terra nova”.
Resposta de Jesus: Eu prometi muito mais que isso: prometi uma nova Jerusalém e também que virei morar no meio de vós. [...] Bem depressa estarei convosco” (30/4/1990).
Stefano Gobbi
Outra importante figura, cujas revelações vieram iluminar muitas profecias bíblicas à segunda vinda de Cristo, é o padre Stefano Gobbi, da arquidiocese de Milão (Itália). Sem doutorado, sem qualquer título universitário, nada apresentava de excepcional em matéria de formação e cultura. Tanto é verdade que, apesar de suas constantes viagens pelo mundo, jamais conseguiu aprender outra língua que o italiano, e o latim, naturalmente, para fins litúrgicos e didáticos.
No entanto, ele tinha o principal: era um padre humilde e piedoso que, ademais, se preocupava em ajudar colegas. No ambiente de efervescência pós-conciliar, via com preocupação muitos deles se deixarem possuir por idéias libertárias, inclusive aderindo a associações rebeldes contra a autoridade da Igreja. Preocupava-se também com o avanço do secularismo, ou espírito do mundo, que invadia os ambientes eclesiásticos. Secularismo que, em nível intelectual, se tornava racionalismo e, em nível de vida, virava naturalismo. Por causa desse racionalismo, crescia a tendência a interpretar de modo humano todo o mistério de Deus e o depósito das verdades reveladas, chegando-se freqüentemente à negação dos dogmas fundamentais da fé. Como fruto do naturalismo, tendia-se a valorizar mais e mais a ação pessoa, a eficiência e a programação do setor apostólico, esquecendo o valor primordial da graça divina e a vida interior de união com Cristo, isto é, de oração, que deve ser a alma de todo apostolado.
Em maio de 1972, numa peregrinação a Fátima, propõe-se rezar pelos padres, formar com eles um grupinho de oração e leva-los a se consagrarem ao Imaculado Coração de Maria. A primeira reunião de oração com três deles, porém, só terá lugar seis meses depois, em outubro.
Nasce assim, timidamente, o Movimento Sacerdotal Mariano, destinado a se transformar, em poucos anos, num aguerrido exército, espalhado por todos os continentes. De quarenta inscritos em março de 1973, saltou para oitenta em setembro. No ano seguinte, iniciam-se os primeiros cenáculos de oração e fraternidade, entre padres e leigos de ambos os sexos. Progressivamente, eles se espalham pela Europa e pelo mundo, num crescendo vertiginoso. Basta dizer que, até o final de 1992, completando seiscentos vôos, além de numerosas viagens de carro e de trem, para presidir 1.446 cenáculos, dos quais 693 na Europa, 485 nas Américas, 97 na África, 91 na Ásia e oitenta na Oceania. Continuou no mesmo ritmo durante o ano seguinte, e também no ano de 1994 executou um amplo programa de cenáculos no mundo inteiro.
Entre os inscritos no Movimento Sacerdotal Mariano figuram vários cardeais, algumas centenas de bispos, além de quase cem mil padres, sem falar nos leigos que, a esta altura, devem somar alguns milhões. Tudo isso com o irrestrito apoio do próprio Papa.
Locuções interiores
A partir de 1973, o padre Gobbi começa a notar em si um fenômeno conhecido na teologia mística como “locução interior”, fenômeno, aliás, presente na vida da Igreja de todos os tempos, cujo exemplo mais vistoso encontramos nos patriarcas e nos profetas bíblicos, que recebiam mensagens de Deus por essa via. Padre Gobbi não via Nossa Senhora com os olhos, nem a ouvia com os ouvidos, entretanto, captava nitidamente as suas palavras.
As carências intelectuais do receptor não chegam a atrapalhar o céu, que geralmente “escolhe o que é fraco diante do mundo para confundir os sábio” (I Cor 1,27). É a própria Nossa Senhora quem lembra ao padre Gobbi:
“Eu te escolhi por seres o instrumento menos apto. Assim ninguém poderá dizer que esta obra é tua. O Movimento sacerdotal Mariano deverá ser obra somente minha. Através da tua fraqueza, manifestarei o meu poder” (6/7/1973).
“Considera-te um nada, pois tu, meu filho, és verdadeiramente incapaz, por ti mesmo, de coisa alguma. Na medida, porém, em que me ofereces a tua nulidade, eu poderei agir e operar segundo os meus desígnios” (27/5/1974).
Todas essas mensagens, recebidas de Maria por locução interior, foram sendo reunidas ano após ano no livro Nossa Senhora aos sacerdotes, seus filhos prediletos, hoje traduzido para mais de vinte línguas, com mais de um milhão de exemplares distribuídos.
Nos primeiros anos, as mensagens de Maria se endereçavam quase exclusivamente ao Movimento Sacerdotal Mariano. Bem depressa, porém, elas transcenderam suas estreitas fronteiras, para se dirigirem a toda a humanidade, visando prepara-la para a próxima volta de Jesus.
Na noite de Natal de 1978, Maria lhe fala pela primeira vez na volta do seu Filho:
“Assim como nasceu nesta noite, Jesus voltará na glória, antes da Sua vinda para o juízo final [...]. Reinarão no mundo as trevas da negação, do repúdio de Deus e da rebelião contra Sua lei de amor. O gelo do ódio tornará desertas as estradas do mundo. E assim quase ninguém estará preparado para O acolher. Os grandes da terra nem sequer se lembrarão dEle, os ricos Lhe fecharão as portas, enquanto os Seus estarão ocupados na busca do seu prestígio pessoas. [...] Virá de improviso, e o mundo não estará pronto para recebe-Lo. Virá para o julgamento, para o qual o homem não se achará preparado. Virá para instaurar o Seu Reino no mundo, depois de vencer e aniquilar os Seus inimigos.”
No primeiro dia de janeiro do ano seguinte, ela o tranqüiliza com estas palavras:
“Dentro do meu coração está encerrado o designo do amor misericordioso so meu Filho Jesus, que quer conduzir o mundo ao Pai [...]. O mundo não está perdido, embora presentemente caminhe pelas veredas da perdição e da autodestruição. Através da provação, será finalmente salvo [...].
O pecado ainda recobre a terra; ódio e violência irrompem em todas as partes; os grandes delitos brandam diariamente vingança ao céu [...]. Por isso, meus filhos, aguardam-vos acontecimentos que não podeis imaginar.”
Referindo-se à Igreja, Nossa Senhora lhe explica que ela
“sai agora de uma grande provação, porque a batalha entre mim e o meu adversário atingiu até os mais altos escalões. Satanás se introduziu de tal modo que chegou a ameaçar a pedra sobre a qual assenta a Igreja, mas eu lho tenho impedido.”
Sinais da próxima purificação
Nos meses seguintes, passa a indicar
“os vários sinais que vos advertem de que já começou o tempo da purificação. O primeiro é a grande confusão reinante. Ela se alastrou no seio da Igreja, subvertendo o dogma, a liturgia e a disciplina. [...] Difunde-se a perigosa tentativa de se querer penetrar e compreender tudo, inclusive o mistério, chegando a aceitar somente a parte da verdade que é compreensível à inteligência humana. Pretende-se desvendar o próprio mistério de Deus. Refuta-se a verdade que não é racionalmente entendida. Na ilusão de torna-las aceitas por todos, pretende-se explicar pela razão as verdades reveladas… muitas das quais dizem respeito a verdadeiros mistérios, que jamais serão acessíveis à inteligência humana” (28/1/1979).
“O segundo sinal de que soou para a Igreja o tempo da sua purificação”, prossegue Maria, “é a indisciplina difundida em todas as camadas, especialmente no clero” (2/2/1979).
E passa a explicar as suas várias formas:
“Deixar-se absorver por desordenada atividade” e, em conseqüência, “postergar habitualmente a Liturgia das Horas, a meditação e a reza do terço”, tornando-se, dessa forma, “interiormente vazios e sem forças. [...] Descurar as normas da Igreja em torno da vida litúrgica [...]. Cada qual é levado a agir conforme gosto e arbítrio, e com facilidade escandalosa são violadas normas da Igreja”.
O terceiro sinal é a divisão no seio da Igreja.
“Essa divisão conduz, às vezes até sacerdotes contra sacerdotes, bispos contra bispos, cardeais contra cardeais. Jamais satanás conseguiu, como neste tempo, introduzir-se no meio deles, rompendo o precioso vínculo do seu mútuo amor. A divisão interior também se manifesta na tendência a deixar no isolamento e quase no abandono o Papa [...]. Por causa disso, o seu magistério não é devidamente acatado por toda a Igreja, que Jesus quis unida em torno do sucessor de Pedro” (11/2/1979).
Finalmente, o quarto sinal de que para a Igreja soou o ponto alto da sua dolorosa purificação é a perseguição. Ela assume várias formas:
“Perseguição aberta e violenta, que despoja a Igreja e a impede de anunciar o Evangelho.” Essa modalidade, porém, é cada vez mais substituída pela perseguição “sub-reptícia e indolor, tirando-lhe pouco a pouco o oxigênio de que precisa. Procura-se conduzi-la a se comprometer com o espírito mundano, o qual, penetrando em seu interior, lhe condiciona e paralisa toda a atividade”.
Mas “a perseguição assume, freqüentemente e de maneira mais ardilosa, o aspecto de colaboração; a ostensiva manifestação de respeito a ela se tornou a arma mais eficaz para feri-la. Descobriram uma nova técnica de destruí-la, sem alaridos e sem derramamento de sangue.
A Igreja é perseguida no seu interior, sobretudo por filhos seus que se comprometeram com o adversário. Esse conseguiu seduzir até pastores. Também entre eles há os que colaboram conscientemente neste desígnio de interna e oculta perseguição da minha Igreja” (3/3/1979).Depois do “rigoroso inverno da purificação”, porém, virá “a nova primavera” para a Igreja, que sairá “renovada e resplandecente, mais humilde e mais forte, mais pobre e mais evangélica, a fim de que resplandeça perante todos o Reino Glorioso do meu Filho Jesus” (9/3/1979).
Padre Gobbi goza de especial estima do Papa João Paulo II, que, ao menos uma vez por ano, o recebe em audiência privada, mantendo-se informado sobre o conteúdo de suas iluminações interiores.
Preocupação que vem de longe
As apreensões de Maria com os descaminhos da humanidade, porém, não datam dos últimos anos. Desde 1830, com Catarina Labouré, ela começa a demonstrar-se preocupada: aparece triste, muitas vezes com lágrimas nos olhos. Em La Salette (1846), Maximino e Melânia a vêem com a cabeça inclinada, apoiada nas mãos, em pranto, e ouvem dela estas palavras, dirigidas às populações da região: “Há tempo que sofro por vocês.” Em Lourdes (1985), Bernadette conta: “Ela tinha o rosto triste quando pediu que me pusesse de joelhos e beijasse a terra em penitência pelos pecadores.” Tocante é também o testemunho de Joseph, um dos videntes de Pontmain (1871): o rosto das Virgem “estava marcado por uma tristeza indizível. Não chorou, mas nos cantos da boca, o tremor dos lábios exprimia uma viva emoção. As lágrimas não desciam, porém a tristeza superava tudo o que se pode imaginar”. Em Medjugorje (1981), a vidente Marija conta: “Ela me falava chorando. Grossas lágrimas lhe desciam pelo rosto.” Em 1992, Vicka também a vê “com as mãos sobre o peito, como se tivesse uma grandíssima dor no coração. Seus olhos tristes, de repente, se encheram de lágrimas”.
Entram nesse contexto as lágrimas da imagem de Siracusa e, mais recentemente, em Akita (Japão), onde uma estátua da Virgem chorou mais de cem vezes. É sintomática essa atitude penitencial da Virgem, que parece demonstrar uma crescente preocupação com o futuro dos seus filhos, aos quais se dirige muitas vezes através da linguagem das lágrimas, a mesma usada por Jesus sobre a sorte de Jerusalém. Suas exortações gravitam em torno de dois apelos: a oração e a penitência, como únicas formas de salvar o mundo da catástrofe.
Outro indicativo dessa preocupação transparente nas suas repetidas manifestações no mundo inteiro. Segundo cálculos do teólogo René Laurentin, só entre 1833 e 1984 se registraram em torno de cem aparições marianas. Ora, quem é que não vê, nessas constantes aparições, os desvelos de uma Mãe que corre de um lado para outro, que grita, que pede socorro para salvar a casa em chamas?
As principais luzes do céu sobre a segunda vinda de Cristo nos foram trazidas pela Virgem Maria, em Fátima (1917), depois em Garabandal (1961) e, quase em nossos dias, em Medjugorje (1981).
(Livro: Parusia - A segunda vinda de Jesus, do Padre Léo Persch)







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