Anjos

1 de março de 2009

anjo

A palavra Anjo indica o ofício, não a natureza

É preciso saber que a palavra Anjo indica o ofício, não a natureza. Pois esses santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados de Anjos, porque somente são Anjos quando por eles é feito algum anúncio. Aqueles que anunciam fatos menores são ditos Anjos; os que levam as maiores notícias, Arcanjos.

Foi por isso que à Virgem Maria não foi enviado um Anjo qualquer, mas o Arcanjo Gabriel; para tal missão, era justo que fosse o máximo Anjo para anunciar a máxima notícia.

Por esse motivo, também a eles são dados nomes especiais para designar, pelo vocábulo, seu poder na ação. Naquela santa cidade, onde há plenitude da ciência pela visão do Deus onipotente, não precisam de nomes próprios para distinguirem uns dos outros. Mas quando vêm até nós para cumprir uma missão, trazem também entre nós um nome derivado dessa missão. Assim, Miguel significa “Quem como Deus?”; Gabriel, “Força de Deus”; e Rafael, “Deus cura”.

Todas as vezes que se trata de grandes feitos, diz-se que Miguel é enviado, porque pelo próprio nome e ação dá-se a entender que ninguém pode por si mesmo fazer o que Deus quer destacar. Por isso, o antigo inimigo, por soberba, cobiçou ser igual a Deus, dizendo: “Subirei ao céu, acima dos astros do céu erguerei meu trono, serei semelhante ao Altíssimo” (cf. Is 14, 13-14); no fim do mundo, quando será abandonado às próprias forças para ser destruído no extremo suplício, pelejará com o Arcanjo Miguel, como diz João: Houve uma luta com o Miguel Arcanjo (Ap 12, 7).

A Maria é enviado Gabriel, que significa “Força de Deus”. Vinha anunciar aquele que se dignou aparecer humilde para combater as Potestades do ar. Portanto, devia ser anunciado pela força de Deus o Senhor dos Exércitos que vinha poderoso no combate.

Rafael, significa “Deus cura”, porque ao tocar nos olhos de Tobias como que num ato de cura, lavou as trevas de sua cegueira. Quem foi enviado a curar, com justiça se chamou “Deus cura”.

(Das Homilías sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, Papa)

A missão dos Anjos

O famoso Bossuet dizia que: “Os Anjos oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até os nossos desejos, fazem valer também diante de Deus os nossos pensamentos… Sejamos felizes de ter amigos tão prestativos, intercessores tão fiéis, intérpretes tão caridosos”.

“Não são todos os Anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?” (Hb 1, 14).
Os Anjos estão presentes na história da humanidade desde a criação do mundo; são eles que fecham o paraíso terrestre (Gn 3, 24); protegem Lot (Gen 19); salvam Agar e seu filho (Ge 21, 17); seguram a mão de Abraão para não imolar Isaac (Gen 22, 11); a Lei é comunicada a Moisés e ao povo por ministério deles (At 7, 53); são eles que conduzem o povo de Deus (Ex 23, 20-23); eles anunciam nascimentos célebres (Jz 6, 11-24; Is 6,6); são eles que assistem os profetas (i Rs 19, 5).

Nos evangelhos, eles aparecem na infância de Jesus, nas tentações do deserto, na consolação do Getsêmani; são testemunhas da Ressurreição do Senhor, assistem a Igreja que nascem os apóstolos. E prepararão o juízo final e separarão os bons dos maus.

Toda a vida de Jesus foi cercada da adoração e do serviço dos Anjos. Desde a encarnação até a Ascenção eles O acompanharam. A Sagrada Escritura diz que quando Deus “introduziu” o primogênito no mundo, ordenou: “Adorem-no todos os Anjos de Deus” (hb 1, 6). Alguns teólogos acham que isso motivou a queda dos Anjos maus, por não aceitarem adorar Deus encarnado na forma humana.

Até hoje a Igreja continua a repetir o canto de louvor que eles entoaram, quando Jesus nasceu: “Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência divina” (Lc 2, 14).

São eles que protegem Jesus na infância (Mt 1, 20; 2, 13.19); são eles que servem Jesus no deserto (Mc 1, 12); O reconfortam na agonia mortal (Lc 22, 43); eles O poderiam salvar das mãos dos malfeitores se assim Jesus quisesse (Mt 26, 53).

Da mesma forma que os Anjos acompanharam a vida de Jesus, acompanharam também a vida da Igreja, e a beneficiaram com a sua ajuda poderosa e misteriosa (At 5, 18-20; 8, 26-29; 10, 3-8; 12, 6-11; 27, 23-25). Eles abrem as portas da prisão (At 5, 19), encorajam Paulo (At 27, 23s), levam Felipe ao carro do etíope (At 8, 26s) etc.

A hierarquia dos Anjos

Seguindo o critério tradicional, são nove os coros ou ordens angélicas: Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potestades, Virtudes, Principados, Arcanjos e Anjos, distribuídos em três hierarquias.

PRIMEIRA HIERARQUIA:
É formada pelos santos Anjos que estão em íntimo contato com o Criador. Dedicam-se a amar, adorar e glorificar a Deus numa constante e permanente freqüência, em grau bem mais elevado que os outros coros: Serafins, Querubins e Tronos.

Serafins:
O nome “seraph” deriva do hebreu e significa “queimar completamente”. Segundo o conceito hebraico, o Serafim não é apenas um ser que “queima”, mas “que se consome” no amor ao Sumo Bem, que é o nosso Deus Altíssimo. Na Sagrada Escritura, os santos Anjos Serafins aparecem somente uma única vez, na visão de Isaías (Is 6, 1-2).

Querubins:
São considerados guardas e mensageiros dos mistérios divinos, com a missão especial de transmitir sabedoria. No início da criação, foram colocados pelo Criador para guardar o caminho da árvore da vida (Gn 3, 24). Na Sagrada Escritura, o nome dos santos Anjos Querubins é o mais citado, aparecendo cerca de 80 vezes nos diversos livros. São também os Querubins os seres misteriosos que Ezequiel descreve na visão que teve, no momento de sua vocação (Ez 10, 12). Quando Moisés recebeu as prescrições para a construção da Arca da Aliança, onde o Senhor habitou, o trono divino foi colocado entre dois Querubins (Ex 25, 8-9. 18-19). Essas considerações atestam que os Querubins são conhecedores dos mistérios divinos.

Tronos:
Acolhem em si a grandeza do Criador e a transmitem aos santos Anjos de graus inferiores. São chamados “Sedes Dei” (Sede de Deus). Em síntese, os Tronos são aqueles santos Anjos que apresentam aos coros inferiores o esplendor da divina onipotência.

SEGUNDA HIERARQUIA:
São os santos Anjos que dirigem os planos da eterna sabedoria, comunicando aqueles projetos aos Anjos da terceira hierarquia, que vigiam o comportamento da humanidade. Eles são responsáveis pelos acontecimentos no universo. Essa hierarquia é formada pelos seguintes coros dos Anjos: Dominações, Potestades e Virtudes.

Dominações:
São aqueles da alta nobreza celeste. Para caracterizá-los com ênfase, São Gregório escreveu: “Algumas fileiras do exército angélico chamam-se Dominações, porque os restantes lhe são submissos, ou seja, lhe são obedientes”. São enviados por Deus a missões mais relevantes e também são incluídos entre os santos Anjos que exercem a função de “Ministros de Deus”.

Potestades:
É o coro angélico formado pelos santos Anjos que transmitem aquilo que deve ser feito, cuidando de modo especial da “forma” ou “maneira” como devem ser feitas as coisas. Também são os condutores da ordem sagrada. Pelo fato de transmitirem o poder que recebem de Deus, são espíritos de alta concentração, alcançando um grau elevado de contemplação do Criador.

Virtudes:
As atribuições dos santos Anjos desse coro são semelhantes àquelas dos santos Anjos do coro Potestades, porque também transmitem aquilo que deve ser feito pelos outros Anjos, mas, sobretudo, auxiliam no sentido de que as coisas sejam realizadas de modo perfeito. Assim, eles também têm a missão de remover os obstáculos que querem interferir no perfeito cumprimento das ordens do Criador. São considerados Anjos fortes e viris. Quem sofre de fraquezas físicas ou espirituais deve invocar por meio de orações o auxílio de um santo Anjo do coro das Virtudes.

TERCEIRA HIERARQUIA:
É formada pelos santos Anjos que executam as ordens do Altíssimo. Eles estão mais próximos de nós e conhecem a fundo a natureza de cada pessoa que devem assistir, a fim de poderem cumprir com exatidão a vontade divina: insinuando ou avisando, conforme o caso. Essa hierarquia é formada pelos Principados, Arcanjos e Anjos.

Principados:
Os santos Anjos desse coro são guias dos mensageiros divinos. Não são enviados a missões modestas, ao contrário, são enviados a príncipes, reis, províncias, dioceses, de conformidade com o honroso título de seu coro. No livro de Daniel são também apresentados como protetores de povos (Dn 10, 13). Significa dizer que são aqueles Anjos que levam as instruções e os avisos divinos ao conhecimento dos povos que lhe são confiados. Porém, quando esses mesmos povos recusam a aceitar as mensagens do Senhor, os principados transformam-se em Anjos vingadores e derramam as taças da ira divina sobre eles, de forma a conduzi-los, por meio do castigo e da dor, de volta ao Deus de amor e misericórdia que eles abandonaram propositalmente.

Arcanjos:
A ordem tradicional dos coros angélicos coloca os Arcanjos entre os principados e Anjos. Pelas funções que desempenham, acreditamos que eles devem estar colocados no mais alto coro dos santos Anjos. Gabriel e Miguel são chamados de Arcanjos. Nas páginas da Sagrada Escritura vê-se que são conhecedores dos mais profundos mistérios de Deus, inclusive foi Gabriel quem anunciou a Maria que ela estava cheia de graças e tinha sido escolhida pelo Criador, para mãe de Deus. Por outro lado, também Rafael é denominado pela Igreja como um Arcanjo. A respeito de Rafael, no livro de Tobias, ele mesmo confirma que está diante de Deus: “Eu sou Rafael, um dos sete Anjos que estão sempre presentes e têm acesso junto à Glória do Senhor” (Tb 12, 15).

Anjos:
Os santos Anjos recebem as ordens dos coros superiores e as executam. Outro aspecto que não pode ser esquecido é o fato de que os santos Anjos, guardadas as devidas proporções, estão mais perto da humanidade e por assim dizer, convivendo conosco e prestando um serviço silencioso, mas de valor incomensurável a cada pessoa. O Criador inspirou o escritor sagrado no Livro Êxodo, da Bíblia Sagrada: “Eis que envio um Anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que tenho preparado para ti. Respeita a sua presença e observa a sua voz, e não lhe seja rebelde, porque não perdoará a vossa transgressão, pois nele está o Meu Nome. Mas se escutares fielmente a sua voz e fizeres o que te disser, então serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários” (Ex 23, 20-22).

A atuação do Anjo da Guarda

Não é de agora que invocamos a proteção dos santos Anjos. Isso não é uma moda ou lançamento, trata-se de uma devoção milenar. Alvo da fantasia das crianças, os Anjos são personagens de diversas histórias infantis; são usurpados em sua importância por crendices modernas e por uma onda de esoterismo que quer esvaziar e empobrecer a força da devoção dos santos Anjos. Nos textos sagrados, a presença dos Anjos sempre foi marcante e tem um caráter de proteção e zelo pelos filhos de Deus.

Atuando em Nome de Deus, os Anjos nos guardam e zelam pela realização dos desígnios de Deus a nosso respeito. Ciente dessa realidade, Tobit tranqüiliza sua esposa Ana, quanto ao paradeiro de Tobias, que estava fora de casa, professando sua fé na proteção dos santos Anjos: “Não chores; nosso filho chegará são e salvo, e voltará também são e salvo para a nossa companhia; tu o verás com teus olhos. Eu estou certo de que um bom Anjo de Deus o acompanhará e disporá solicitamente tudo o que lhe diz respeito, de modo que ele tenha a alegria de voltar para nós.

Ouvindo isso, sua mãe cessou de chorar e calou-se” (Tb 5, 26-28). A fé de Tobit na proteção de seu filho estava apoiada no seu temor a Deus e na sua atitude de confiar o filho à proteção de um Anjo, que o guiaria e o traria em segurança para casa. Essa certeza muitos pais gostariam de ter hoje, quando vêem seus filhos saindo de casa. Quantos pais vivem hoje situações muito parecidas com a de Tobit e Ana, e se desgastam preocupados com o paradeiro dos filhos, que saíram com os amigos, foram a uma festa ou resolveram dormir fora de casa, e eles nem sabem onde e na companhia de quem estão. Pais que perdem noites de sono preocupados com o que fazem os filhos e até se voltarão para casa. Pais que se perderam no tempo e acreditando que dando um carro, um celular e dinheiro podem proteger os filhos e se esquecem de recorrer à proteção dos santos Anjos.

“Não chores; nosso filho chegará são e salvo, e voltará também são e salvo para nossa companhia”. Foi a confiança na proteção dos Anjos que fez Tobit tranqüilizar sua esposa que chorava a ausência do filho. Quantas mães não gostariam de ouvir ou ter essa confiança na proteção de seus filhos pelos Anjos. Os pais deixaram de abençoar os filhos , quando eles saem de casa e de os recomendar à proteção dos Anjos.

Simplesmente dizer aos seus filhos antes de sair de casa uma palavra de benção é o necessário para tranqüilizar seu coração. As palavras de bênção proferidas pelos pais têm poder, e uma benção ou invocação dos Anjos sobre eles terá efeitos visivelmente sentidos. “Que o Anjo do Senhor o(a) acompanhe ou que o Anjo do Senhor o(a) leve em paz e o(a) traga em paz”. Basta uma fórmula simples como essa proclamada sobre seus filhos para que, por meio de sua fé e temor, essa graça se realize na vida dos seus. É preciso resgatar, no coração e na mente dos pais e educadores de hoje, o temor a Deus que os fará recorrer ao auxílio divino para educar e proteger seus filhos e alunos. Também na vida dos santos a presença da devoção aos Anjos foi sempre marcante. São Pio de Pietrelcina quando atendia confissões ou simplesmente cumprimentava as pessoas, sempre invocava a proteção dos Anjos: “que o Anjo de Deus te acompanhe”, ou dizia freqüentemente aos peregrinos que partiam do convento: “que o Anjo de Deus te acompanhe e te abra as portas”. Ainda atendia orações, costumava abençoar invocando os Anjos: “que o Anjo de Deus seja a tua luz, o teu auxílio, a tua força, o teu conforto e teu guia”.

Preocupados com a nossa segurança e com a de quem amamos, levantamos muros e grades e confiamos na proteção dos homens, mas ignorando a realidade sobrenatural dos Anjos que batalham por nós. Somos capazes de realizar e empreender grandes esforços para garantir nossa segurança, mas não nos sensibilizamos com o poder e eficácia que tem uma palavra de bênção e invocação dos Anjos realizada no temor de Deus. Substituímos o Anjo da Guarda da nossa infância pela segurança dos homens; os resultados têm deixado a desejar e a nós hoje fica a evidência da validade de se recorrer a esses enviados de Deus, que se realizam quando podem cumprir plenamente sua missão: guardar e iluminar o caminho dos homens.

Cultive esse salutar costume, quando seus filhos saírem de casa, o seu esposo, a sua esposa, os seus vizinhos, parentes, amigos e inimigos, alguém que você encontra ao longo do caminho mesmo sem conhecer peça aos Anjos que o acompanhem.

Que o Anjo do Senhor o(a) acompanhe,
Que o Anjo do Senhor o(a) leve em paz e o(a) traga em paz,
Que o Anjo de Deus o(a) acompanhe e abra-te as portas,
Que o Anjo de Deus seja a tua luz, o teu auxílio, a tua força, o teu conforto e o teu guia.

(Texto extraído do livro: Devocionário a São Miguel Arcanjo)

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